Domingo, 4 de Janeiro de 2009

26 de Fevereiro de 2002, Terça-Feira

Sombra

 

Na sombra que o cansaço em mim demora

perpassam só memórias que no verso

se tornam alusão inconsciente.

 

Mas não esqueci teu corpo: que não se esquece

O que a memória não reteve nunca

Senão o vivo jeito de perder-se.

 

                                   Luís Filipe Castro Mendes

 

 

 

 

 

Hoje fui a uma psicóloga. Dói-me a cabeça agora. A psicóloga é do GAPE, na faculdade. Tinha de falar mais abertamente com alguém... Estava com medo e nervosa, e claro que ela notou isso, mas não importa... Falei sobre tudo com ela... Sobre o T., sobre a minha mãe, sobre o meu pai, sobre Aveiro... Chorei muito... ela levantou-se e foi ver se tinha lenços na carteira. Se fosse noutra altura eu achava piada à situação.. mas hoje só chorei... as minhas palavras eram mastigadas... não sei se fui muito coerente com o que disse, mas tentei...  nem sei se ela me entendeu, mas foi isso que eu fui procurar lá... alguém que me perceba e me ajude a perceber-me...

 

Falei muito sobre a minha infância... sobre o meu pai... o que eu sentia e sinto pelo meu pai... o que eu gostava que ele soubesse sobre mim e eu nunca lhe disse... Perguntou-me se eu nunca lhe tinha escrito uma carta, mesmo que não lhe enviasse...eu falei-lhe dos cadernos... diários... e disse que não me sentia muito melhor depois de escrever, continuava a pensar nos momentos em que ele fez falta e não estava... e que por mais que escrevesse ia continuar a sentir a falta dele em determinadas alturas e ele ia continuar a não estar presente... Ela perguntou-me se eu escrevesse realmente uma carta e a enviasse mesmo... eu respondi que não tinha coragem de a enviar; e se por acaso tivesse essa coragem, ia ficar envergonhada, e sem saber como enfrentar a situação...

 

Não comecei logo a falar do meu pai, comecei por falar de Aveiro... Disse que o ano passado tinha entrado na universidade, em Design, num curso que pensava que gostava... mas depois senti-me sozinha.... senti que não pertencia àquela turma em que estava, tinha saudades dos meus amigos do liceu... e desisti daquela faculdade... Fiquei deprimida até setembro... porque depois entrei no ISEP, e conheci o R... e então os meus dias ficaram melhores... sorri, ri, divertia-me com os meus colegas... e ele estava lá... E disse-lhe depois que ele tinha deixado de falar comigo... assim!... de um momento para o outro... e que eu fiquei angustiada... perdida... de repente tudo ficou escuro, como ela disse...

 

Durante uma hora e tal falei e chorei... a relação com a minha avó, o meu avô... Da maneira como me isolava e sentia sozinha...

 

Preciso de dormir... amanhã... amanhã...

publicado por incompreendida às 02:55
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